O embate entre a antiga colônia e seu colonizador, Brasil e Portugal, era o confronto mais aguardado pelos torcedores e foi o que menos os empolgou. As duas seleções jogavam no belíssimo estádio em Durban, o Moses Mabhida, buscando o primeiro lugar do grupo e fugir, consequentemente, de um possível confronto com a seleção espanhola, já nas oitavas-de-final do torneio.
Logo na escalação das equipes percebeu-se que o treinador português não sairia para o jogo. Armou sua equipe em um sistema com quatro zagueiros, cinco no meio e apenas um atacante, Cristiano Ronaldo. Carlos Queiroz congestionou seu meio-de-campo promovendo a entrada de Pepe, Ricardo Costa, Danny e Duda. A proposta lusitano era fechar o lado direito do Brasil, o mais forte, e jogar nas costas de Maicon. Já pelo lado canarinho, Dunga colocou Júlio Baptista no lugar de Kaká, Daniel Alves no de Elano e Nilmar, esse a novidade, no posto de Robinho, que sentiu um desconforto muscular sendo preservado.
O jogo foi carente em lances de gol. Apenas Nilmar, na primeira etapa, quando a Jabulani tocou a trave portuguesa após chute de canhota e Ramires, nos acréscimos do segundo tempo, tiraram o Uhh.. dos brasileiros. O confronto será lembrado pelos lances violentos, mas especificamente, dos projetos de xerifes Felipe Melo e Pepe. O volante brasileiro, que antes da Copa, disse que iria se controlar nas partidas, não se conteve avistando um adversário semelhante a si do outro lado do campo. Resultado do embate, ambos receberam cartão amarelo, no total de sete na partida. Felipe Melo sofreu uma entrada maldosa de Pepe e ainda no primeiro tempo foi substituído por Josué, mas sem antes dar o troco no português. Acertadamente Dunga sacou o número 5 evitando uma possível expulsão do esquentadinho volante.
No decorrer do duelo as dificuldades da nossa seleção ficaram em evidência. Não há uma alternativa de jogo, quando não temos Kaká em campo. Júlio Baptista não é "o cara", comprovando que Nilmar, é mesmo, a melhor opção para subtituir o camisa 10, recuando Robinho para a função de meio. Outro problema é o lado esquerdo. Michel Bastos não está agradando, com isso, a saída de bola brasileira se concentra pelo flanco direito.
Pelo lado português, o lateral-esquerdo Fábio Coentrão e o volante Raul Meirelles se destacam na África do Sul. Já o badalado Cristiano Ronaldo foi escolhido o melhor jogador do confronto pela Fifa. Eleito mais por sua imagem marqueteira a um belo futebol apresentado diante dos brasileiros.
Um 0 a 0 chato! Bom para o Brasil que classificou-se em primeiro lugar no grupo, e repetirá contra o Chile o duelo das oitavas-de-final da Copa da França de 98, 4 a 1 para nós. "El loco" Bielsa e seus comandados prometem aprontar diante dos pentacampeões e superar o resultado de doze anos atrás. Dunga, como treinador, venceu os chilenos por cinco vezes. A sexta vitória virá na segunda-feira no Ellis Park, em Joannesburg. Assim espero.


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